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Avianca e Gol se unem e se tornam maior grupo de aviação na América Latina, à frente da Latam

Avianca e Gol se unem e se tornam maior grupo de aviação na América Latina, à frente da Latam

FONTE: O GLOBO

Avianca e Gol se unem e se tornam maior grupo de aviação na América Latina, à frente da Latam

As duas empresas ficarão sob o guarda-chuva do novo Grupo Abra. Negócio ainda depende de aval de órgãos reguladores e de defesa da concorrência

Ivan Martínez-Vargas

(Foto: Divulgação)

12/05/2022

SÃO PAULO — Os acionistas controladores da linha aérea Avianca e a família Constantino, que controla a Gol, uma das maiores companhias aéreas do Brasil, criaram uma holding única que controlará as duas companhias, o que cria o maior grupo de aviação da América Latina, como informou a Coluna Capital.

O recém-criado Grupo Abra, holding de capital fechado sediada no Reino Unido, vai deter 100% da Avianca e a participação da família Constantino na Gol quando a operação estiver concluída, o que os acionistas estimam que seja ainda neste ano.

A principal acionista da Avianca Colombia, a companhia americana United Airlines não está envolvida no acordo.

Hoje, Constantino e familiares detêm 100% das ações ordinárias (que dão direito a voto) da Gol e ao menos 45,16% dos papéis preferenciais (sem direito a voto, mas com preferência na distribuição de dividendos) por meio do fundo Mobi Fia (53,75% do capital) e da offshore Path-Brazil Llc (2,74%). É a participação do Mobi que será transferida para o Grupo Abra.

A união dos ativos para criar o novo grupo ainda precisa de aval de órgãos reguladores e concorrenciais. No Brasil, deverá passar pela Anac e pelo Cade.

Operações separadas

As operações de Avianca e Gol permanecem separadas por enquanto. Segundo as empresas, os passageiros poderão ter acesso a uma malha maior, resultado da combinação entre os negócios, e poderão resgatar seus pontos tanto no programa de fidelidade Smiles, da Gol, quanto no Lifemiles, da Avianca.

O Grupo Abra também terá uma dívida conversível em participação minoritária da aérea low cost chilena Sky Airline e uma participação não controladora da Viva na Colômbia e no Peru, ambas herdadas da Avianca.

Segundo o anúncio da união, a holding ainda vai receber um aporte de US$ 350 milhões para fortalecer sua liquidez.

"Juntas, Avianca e Gol serão a base de uma malha pan-latinoamericana de companhias aéreas com o objetivo de ter o menor custo unitário em seus respectivos mercados, os programas de fidelidade líderes em suas regiões e outros negócios sinérgicos. Avianca e Gol continuarão mantendo independentes suas marcas, equipes e cultura, enquanto se beneficiam de maior eficiência e investimentos feitos pelo mesmo grupo controlador" diz o comunicado.

Com o Abra, a ideia é ganhar escala e reduzir custos para as operações das companhias aéreas. O setor aéreo passa por sérias dificuldades desde a redução de demanda causada pela pandemia do coronavírus.

Antes da pandemia, a Avianca dizia ser a segunda maior empresa aérea da América Latina (ficava atrás apenas do Grupo Latam). Suas atuações mais fortes são nos mercados de Colômbia, Equador e América Central, especialmente El salvador.

Atualmente, A Avianca é controlada por Roberto Kriete, que fundou a aérea Taca, em um bloco de controle com o fundo Kingsland, a aérea americana United e o fundo americano Elliott, presidido por Paul Singer e que era o maior credor da Avianca Brasil. O acordo de fusão foi firmado entre o fundo Mobi, de Constantino, e esse bloco de controle.

Kriete será o presidente do Conselho de Administração do Abra, enquanto Constantino de Oliveira Junior será o diretor-executivo (CEO) do grupo. Adrian Neuhauser, atual presidente da Avianca, e Richard Lark, atual diretor finaceiro da Gol, serão co-presidentes da holding e manterão suas atuais funções nas companhias aéreas.

A notícia da fusão teve impacto negativo nos papéis da Gol na B3. As ações da empresa na Bolsa caíram 1,67%, cotados a R$ 12,94.

Para Pedro Bruno, analista da XP, a notícia é "neutra" para os papéis da Gol e não muda, ainda, a esturtura da companhia. "Por enquanto, esse acordo entre os acionistas parecemnão afetar em nada a operação da Gol, é uma transação para criar uma holding. Eventualmente pode ser uma parceria positiva no sentido de criação de sinergias, mas isso ainda precisa ser avaliado", afirmou em nota.

Em relatório sobre a operação, o banco BTG Pactual afirma que a união é positiva para a empresa aérea brasileira porque "dá acesso (à Gol) a uma malha completa e complementar (com baixa sobreposição de rotas), com acesso aos hubs internacionais da Avianca Colômbia, incrementa o programa de fidelidade da Gol com a parceria com o da Avianca (Lifemiles), e expande a opração de carga dentro do grupo".

A recomendação do banco é de compra para os papéis da Gol. O relatório destaca "uma volta mais firme da demanda doméstica (principalmente para a Gol), preços mais baixos do petróleo (...), menos casos de Covid e maiores yelds (tarifas)".

— Não fica claro quem terá o controle. No fato relevante ao mercado, a Gol diz que não muda. Caso mudasse, pelas regras do mercado, precisaria haver uma oferta pública. A escolha do Reino Unido como sede provavelmente deve trazer vantagens tributárias — afirma o advogado William Nakasone, especializado em fusões e aquisições.

Irmãos Efromovich

Roberto Kriete foi sócio dos irmãos Efromovich, que chegaram a controlar a Avianca até maio de 2019, quando deixaram de pagar um empréstimo de US$ 456 milhões contraído com a aérea americana United e cuja garantia era o direito de voto das ações ordinárias da Avianca. À época, a United executou a dívida e tirou o poder dos Efromovich na empresa. A aérea americana repassou o direito de voto dos papéis ao fundo Kingsland.

Como a aérea colombiana fechou o capital em 2021 e passou a ser sediada no Reino Unido, ainda não está claro qual é a participação atual de Germán e José Efromovich na empresa e no Grupo Abra. Os controversos irmãos também foram controladores da falida Avianca Brasil, que desapareceu em 2019 deixando um passivo bilionário.

Também no Brasil, foram controladores do estaleiro Eisa, em recuperação judicial. Os empresários chegaram a ser presos no âmbito da Operação Lava-Jato por supostos subornos pagos a executivos da Transpetro, mas foram absolvidos pela Justiça.

Em nota, Constantino de Oliveira Junior, diz que o acorto “coloca as companhias aéreas do Grupo Abra em posição de liderança em viagens aéreas na América Latina – atendendo a uma população de mais de 1 bilhão de pessoas e um PIB de quase US$3 trilhões”.

 

Raio-X das empresas

Gol

Vendas brutas: R$ 4,15 bilhões (1.tri.21)

Lucro líquido: R$ 2,6 bilhões (1.tri.21)

Frota: 142 aeronaves Boeing 737 (incluindo 737-700, 737-800 e MAX 8)

Rotas: 186, 4.060 voos por semana (1.tri.21)

Funcionários: 14.100

Avianca

Frota: 110 aeronaves, modelos Airbus 320 e Boeing 787 Dreamliner

Rotas: 130, 3.800 voos por semana

Destinos: 65

Funcionários: 12.000.

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/avianca-gol-se-unem-se-tornam-maior-grupo-de-aviacao-na-america-latina-frente-da-latam-25506340

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