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Covid-19: Mais de 500 mil paulistas já retornaram ao escritório

Covid-19: Mais de 500 mil paulistas já retornaram ao escritório

FONTE: GAZETA DE S. PAULO

Covid-19: Mais de 500 mil paulistas já retornaram ao escritório

Empresas contam as suas experiências e advogada explica o que pode ou não pode na volta ao trabalho

Publicado em 05/02/2021 

Por: Gladys Magalhães

O número de trabalhadores do estado de São Paulo que segue atuando de forma exclusivamente remota, por conta da pandemia do novo coronavírus, vem diminuindo mês a mês. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid, levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em maio de 2020, cerca de 3,1 milhões de paulistas estavam trabalhando de casa, número que caiu para 2,5 milhões, em novembro.

Entre os motivos para o retorno presencial destacam-se a necessidade de se preservar a cultura da empresa, bem como questões ligadas à produtividade dos trabalhadores. “Durante os seis primeiros meses da pandemia, colocamos todos os colaboradores trabalhando remotamente para preservá-los. Acontece que muitos demonstraram desconforto, pois não tinham em casa estrutura física e tecnológica para manter o rendimento. No retorno parcial, priorizamos esse pessoal e, com isso, ganhamos melhora na produtividade, autoestima e energia focada no trabalho. Importante dizer que esse retorno foi conversado e elaborado com muito carinho e cuidado, com a participação de todos no processo”, relata Camilla Clemente, diretora de Produtos, Marketing e UX da ConsigaMais+, fintech de crédito consignado privado, com sede no bairro paulistano da Barra Funda.

Macaque in the treesCamilla Clemente, diretora de Produtos, Marketing e UX da ConsigaMais

Outra empresa que optou pela volta presencial ao trabalho foi a NürnbergMesse Brasil, uma das maiores promotoras de eventos do mundo, com sede brasileira em São Paulo e matriz na Alemanha. Segundo o CEO da companhia, João Paulo Picolo, a motivação para o retorno presencial está conectada com o propósito da empresa.

“Acreditamos demais na força que tem a relação interpessoal. Entretanto, antes de tomar qualquer decisão, fizemos uma pesquisa internamente para entender se as pessoas gostariam de retornar ao escritório e a resposta foi positiva nesse sentido. Foi aí que decidimos de fato abrir a possibilidade de retorno. Pessoalmente, gosto muito de ver as pessoas, acredito que traz uma energia diferente para o nosso dia a dia”, argumenta Picolo.

Macaque in the treesJoão Paulo Picolo, CEO da NürnbergMesse Brasil

Mais de 50% prefere trabalho presencial

No Brasil, ainda conforme o IBGE, quase 1,5 milhão de trabalhadores já voltaram de forma parcial ou integral para a empresa e, segundo uma pesquisa feita pela plataforma Imovelweb, a maior parte dos trabalhadores, 53%, prefere o escritório ao home office.

O coordenador de RH Eduardo Valente, de 26 anos, é uma dessas pessoas. “Eu fiquei trabalhando de home office, full time, de março a julho. Hoje, eu vou de três a quatro vezes por semana ao escritório e me senti muito bem voltando, pois gosto de ver e estar com pessoas e, hoje, quando a equipe se vê pessoalmente, eu sinto que as pessoas estão mais próximas e empáticas”, relata Valente.

Macaque in the treesEduardo Valente, coordenador de RH

Home office vai ficar

Ainda que os brasileiros estejam voltando e até prefiram o trabalho presencial, a maior parte dos lideres acredita que o home office veio para ficar e que o futuro pós pandemia reserva um modelo de trabalho híbrido. “Compreendi o home office e seus benefícios. Sem dúvida, as pessoas ganham mais qualidade de vida. Como tudo na vida, acredito que o segredo está no equilíbrio dos dois formatos (...). O home office já era uma realidade para muitas empresas e, agora, aquelas que não tinham vão passar a adotar mesmo após a pandemia. Nós somos um exemplo desse caso. Eu não acho que o físico vai desaparecer ou perder força. Pelo contrário, eu acredito que o físico vai ganhar ainda mais relevância quando acontecer. Acredito que os encontros pessoais vão se tornar mais especiais. Espero ver os dois modelos caminhando juntos”, finaliza Picolo.

Macaque in the treesFernanda Garcez, sócia e responsável pela área trabalhista do escritório Abe Giovanini

O certo e o errado na volta ao trabalho presencial

As incertezas provocada pela pandemia do novo coronavírus não se restringem apenas à saúde, elas também atingem o mercado de trabalho.

De acordo com a advogada, mestre em direito do trabalho, Fernanda Garcez, sócia e responsável pela área trabalhista do escritório Abe Giovanini, na volta ao trabalho presencial as empresas devem garantir ao colaborador um ambiente de trabalho seguro, adotando todas as medidas recomendadas pelo Estado e organismos de saúde.

Os trabalhadores, por sua vez, devem cumprir rigorosamente as medidas de segurança. Lembrando que mesmo que faça parte de grupo de risco ou tome conta de alguém que o faça, ele não pode se recusar a voltar ao trabalho. “Não existe norma que obrigue o empregador a manter seus empregados em trabalho remoto. Porém, para os trabalhadores do grupo de risco, não sendo possível a permanência na residência, deve ser priorizado o trabalho em local arejado e higienizado ao fim de cada turno”, explica.

Já no que diz respeito à vacinação contra a Covid-19, a advogada lembra que o empregador deve conscientizar o colaborador de sua importância, porém não pode haver a exigência que o empregado tome a vacina.

https://www.gazetasp.com.br/estado/2021/02/1084497-covid-19-mais-de-500-mil-paulistas-ja-retornaram-ao-escritorio.html

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