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Dança das cadeiras na Petrobras preocupa analistas

Dança das cadeiras na Petrobras preocupa analistas

FONTE: BNAMERICAS

Dança das cadeiras na Petrobras preocupa analistas

Bnamericas

Publicado: terça-feira

A Petrobras está prestes a ter seu terceiro presidente desde janeiro de 2019, quando Jair Bolsonaro assumiu o poder.

A rotatividade dos executivos do alto escalão na petrolífera estatal tem sido maior do que na maioria das empresas semelhantes da América Latina, o que possivelmente prejudica sua credibilidade entre os investidores, segundo analistas locais.

O general Joaquim Silva e Luna foi demitido recentemente do cargo máximo na Petrobras por Bolsonaro em meio à crise dos preços dos combustíveis, mesmo motivo que levou seu antecessor, Roberto Castello Branco, à demissão, em fevereiro de 2021.

Depois que Adriano Pires, ex-chefe da reguladora de hidrocarbonetos ANP, economista local e consultor de petróleo e gás, recusou o cargo, o governo tem lutado para encontrar um novo presidente para a empresa. Pires disse que não poderia assumir o cargo devido a um conflito de interesses poucos dias depois de Luiz Rodolfo Landim ter recusado sua nomeação como presidente do conselho de administração da Petrobras.

Caio Paes de Andrade, secretário especial do Ministério da Economia, está entre os candidatos a substituir Silva e Luna.

CONSEQUÊNCIAS PARA A PETROBRAS

Cristiano Vilela, sócio do escritório de advocacia Vilela, Miranda e Aguiar Fernandes Advogados, lembrou que a Petrobras historicamente tem uma alta rotatividade de presidentes, com executivos com permanência média inferior a dois anos no cargo.

“Entretanto, quando a frequência dessa troca de comando aumenta – especialmente em situações como a atual, onde além das demissões temos a desistência de quadros indicados – aí sim temos uma sinalização ruim para o mercado, especialmente quando essas demissões são influenciadas pela política de preços da companhia”, destacou ele à BNamericas.

A permanência mais longa na Petrobras foi a de José Sérgio Gabrielli, que esteve no cargo entre 2005 e 2012, nos governos de Luiz Inácio Lula da Siva e Dilma Rousseff, ambos do PT.

Para Guilherme Amorim Campos da Silva, sócio do escritório Rubens Naves Santos Jr. Advogados, os últimos acontecimentos mostram que a Petrobras não está totalmente blindada à influência política, o que afeta seu desempenho em termos de planejamento de suas atividades e segurança jurídica da sua atuação.

“Para o mercado, portanto, trata-se de ingerência incompatível com o que está apregoado e afirmado em termos de governança corporativa”, avaliou.

Flávio Conde, head de renda variável da Levante Ideias de Investimentos, acredita que a alta rotatividade dos presidentes da Petrobras aumenta os temores de uma intervenção federal na empresa.

“Historicamente, o valor de mercado da Petrobras gira em torno de sete vezes o seu lucro, e hoje está apenas quatro vezes o lucro”, disse ele à BNamericas.

Para ele, essa situação se deve a uma combinação de questões políticas e falta de conhecimento por parte de Bolsonaro sobre o que pode ser feito em relação à política de preços dos combustíveis da Petrobras, além da personalidade explosiva do presidente.

“A melhor solução hoje seria voltar atrás e manter Silva e Luna, que é uma pessoa de confiança e correta. Ou colocar um dos diretores-executivos no posto para a empresa continuar andando”, disse Conde.

Gabriel Brasil, analista da Control Risks, destacou que os riscos de intervenção do governo na Petrobras aumentaram nas últimas semanas devido à crescente volatilidade dos preços do petróleo.

“A ausência de uma gestão autônoma bem definida, como acontece agora, em ano eleitoral, definitivamente agrava esse problema”, afirmou ele à BNamericas.

OUTRAS EMPRESAS PÚBLICAS DO SETOR NA REGIÃO

O número de mudanças na liderança da Petrobras desde 2019 é superado apenas pela YPFB, na Bolívia, e a Petroecuador, no Equador, de acordo com uma análise da BNamericas.

Não é coincidência que esses dois países tenham passado por uma grave instabilidade política nos últimos anos.

As trocas na direção da Petrobras são ainda mais frequentes do que na PDVSA, na conturbada Venezuela, que muitas vezes é alvo de Bolsonaro em seus ataques contra “regimes comunistas”.

A BNamericas descreve aqui as mudanças nas principais empresas públicas de petróleo e gás da região desde 2019:

YPFB (BOLÍVIA)

O atual presidente da YPFB é Armin Dorgathen. Em dezembro de 2021, ele substituiu Wilson Zelaya, que renunciou por problemas de saúde. Zelaya assumiu em novembro de 2020 para substituir Richard Botello, que assumiu o cargo em maio daquele ano. Ele também pediu demissão por problemas de saúde. Botello assumiu o cargo de Herland Soliz, que esteve envolvido em escândalos de corrupção depois de ocupar o cargo desde dezembro de 2019. Antes de Soliz, o presidente da empresa era José Luis Rivero, que liderou a companhia por apenas 29 dias até anunciar que a YPFB havia falido. Oscar Barriga foi seu antecessor e ocupou o cargo de junho de 2017 a novembro de 2019.

PETROECUADOR (EQUADOR)

Hoje, o presidente da empresa é Ítalo Cedeño, cujo mandato começou em janeiro de 2022, substituindo Pablo Luna. Luna assumiu em junho de 2021, no lugar de Gonzalo Maldonado, que havia ocupado a presidência em dezembro de 2020. Seu antecessor foi Ricardo Merino, que presidiu a empresa por apenas dois meses em meio a polêmicas sobre um acordo comercial de petróleo com a China. Ele havia substituído Pablo Flores, presidente da empresa equatoriana entre agosto de 2018 e setembro de 2020.

PDVSA (VENEZUELA)

Primo do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, Asdrubal Chávez é o presidente desde abril de 2020, quando substituiu Manuel Quevedo, que assumiu o cargo em novembro de 2017.

YPF (ARGENTINA)

Sergio Pablo Antonio Affronti lidera a empresa desde abril de 2020. Ele substituiu Daniel Gonzalez, que era presidente da YPF desde abril de 2018.

PEMEX (MÉXICO)

Seu presidente, Octavio Romero Oropeza, está no cargo desde dezembro de 2018.

ECOPETROL (COLÔMBIA)

Felipe Bayón Pardo é o presidente da empresa colombiana desde agosto de 2017.

https://www.bnamericas.com/pt/feature/danca-das-cadeiras-na-petrobras-preocupa-analistas

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