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Deputado optará entre bolso e honra, diz coautor de pedido de impeachment

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Pedro Ladeira - 30.mar.2016/Folhapress

Janaina Paschoal e Miguel Reale Júnior (à dir.), em audiência pública

 

Janaina Paschoal e Miguel Reale Júnior (à dir.), em audiência pública

PAULA REVERBEL
DE SÃO PAULO

O advogado Miguel Reale Júnior, coautor do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff que tramita na Câmara dos Deputados, disse nesta sexta-feira (8), em palestra no IASP (Instituto dos Advogados de São Paulo) que os parlamentares escolherão entre o bolso e a honra ao votar.

"Já não é mais uma questão de partido, é pessoal, o deputado sabe que vai estar sendo transmitido direto para a televisão, a votação é aberta e ele poderá escolher entre o bolso e a honra", afirmou.

A Câmara deverá decidir no dia 17 abre o processo contra Dilma. São necessários ao menos 342 votos para que a ação vá para o Senado.

Sobre a mobilização do governo, que está distribuindo cargos em troca de votos favoráveis, Reale disse: "Estamos assistindo a um filminho de faroeste em que se corta a nota no meio e entrega a outra metade depois da votação".

O advogado afirmou também que a cassação da chapa que elegeu Dilma e seu vice, Michel Temer, seria muito demorada, com previsão de terminar só em 2017.

PREOCUPAÇÕES

Reale afirmou que não se preocupa com a saída de Dilma do governo, mas com o que o vice, Michel Temer (PMDB), fará em seu lugar. O advogado defendeu que não se distribua mais cargos em troca de apoio político.

"Não me preocupo mais se vamos ou não afastar Dilma Rousseff, acho que sim. Me preocupa sim é o que deve fazer o novo presidente", afirmou. "Ele deve instituir algo que nesse país jamams foi aceito: a meritocracia. Essa é a verdade, não é a troca de cargos para apoio político, para dividir o butim", acrescentou.

O advogado também disse que o Brasil vive uma crise de autoridade e criticou os presidentes da Câmara e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-presidente Lula.

"Podemos exigr algo de Renan Calheiros? Podemos exigir algo de Eduardo Cunha? Podemos exigir algo de Luís Inácio Lula da Silva?, perguntou. Ele argumentava os cidadão devem votar para fazer cobranças depois.

NOVO PLEITO

Ainda segundo Reale, a ideia de antecipar as eleições para outubro deste ano como forma de resolver a crise política do país é uma "maluquice".

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou "ver com bons olhos" a proposta que defende novo pleito para todos os cargos eletivos –presidente da República, governadores, senadores e deputados.

Na visão de Reale, tanto a convocação de eleições quanto realização de uma reforma constitucional fariam com que ninguém conduzisse o país durante a crise financeira.

"Imagine o Brasil parado e o país derretendo. É maluquice total, é ideia de girico", argumentou. Sobre o elogio de Renan à proposta, ele afirmou que o senador muda de opinião frequentemente. "Quero saber o que ele dirá amanhã. Cada hora ele muda", provocou.

JANAÍNA

Quanto ao discurso efusivo da advogada Janaína Paschoal, coautora do pedido de impeachment junto com Reale e Hélio Bicudo, que se tornou umviral nas redes sociais e inspirou paródias, o especialista disse que a colega devia estar empolgada com o sucesso do evento antigoverno onde falou.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/04/1758913-deputado-optara-entre-bolso-e-honra-diz-coautor-de-pedido-de-impeachment.shtml

 

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