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Empresas aéreas tentam sobreviver em um setor marcado por falências e instabilidade

Empresas aéreas tentam sobreviver em um setor marcado por falências e instabilidade

FONTE: RÁDIO ITATIAIA

Empresas aéreas tentam sobreviver em um setor marcado por falências e instabilidade

Por Redação, 03/08/2019 às 11:26 

atualizado em: 03/08/2019 às 13:36
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Um setor marcado por falência. Assim é conhecido o segmento de empresas aéreas no Brasil, que acumula a falência de companhias, gerando demissões e prejuízos para os consumidores. O caso mais recente é da Avianca, que teve todas as operações suspensas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em maio deste ano.

Este é o segundo episódio da série especial da Itatiaia que aborda o impacto da abertura do mercado para a aviação brasileira. Ouça aqui.

“Está bem tenso a gente se recolocar no mercado. Estamos esperando ligações”, diz um comissário de bordo que trabalhava para a Avianca e não quis ser identificado. Com a saída da companhia do mercado, ele perdeu o emprego e ainda não recebeu salário, férias e direitos trabalhistas.

Sueli Martins de Oliveira trabalhava há sete anos como atendente da Avianca e também foi demitida. “A gente ficou três meses sem receber salários e benefícios. Não teve informação nenhuma da empresa para funcionários e passageiros. Sentimo-nos abandonados, desamparados”, desabafa.

Segundo o Sindicato Nacional dos Aeronautas, aproximadamente 700 comissários e pilotos ficaram sem emprego depois de a Avianca entrar em recuperação judicial. A instabilidade do setor aéreo brasileiro, marcado pela falência de outras empresas como Varic e Vasp, é um desafio para as autoridades e as empresas que atuam no mercado, e que atinge diretamente o trabalhador desse segmento.

De acordo com o professor do departamento de ciências contábeis da Universidade de Brasília (UNB), André Luiz Marques, existem vários fatores que potencializam a instabilidade no mercado brasileiro de aviação, como “os custos operacionais, os custos logísticos, o aumento do preço das taxas aeroportuárias, a carga tributária e o preço do combustível”.

O professor ressalta que há necessidade do governo federal repensar mecanismos que possam estimular esse segmento.

O advogado especialista em direito aeronáutico, Guilherme Amaral, cita ainda o excesso de “judicialização” envolvendo empresas aéreas. “Para uma companhia aérea operar no Brasil ela tem que saber que o mercado brasileiro gera muito mais processos e reclamações do que qualquer país no mundo, isso tem um pouco do aspecto cultural do brasileiro.”

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, o ponto central do debate do crescimento do setor aéreo passa pela segurança jurídica e ter a certeza que os modelos de negócio serão possíveis no Brasil.

Impacto para os consumidores

A fomentação do setor, no entanto, representa um impacto direto para os consumidores. A cobrança de serviços como taxa para despachar bagagem e marcação de assentos, por exemplo, pesam no bolso.

A costureira aposentada Eva Rodrigues de Almeida conta que em uma viagem de Brasília para Santa Catarina deixou para trás uma mala cheia de roupas porque não teria dinheiro para pagar a taxa de bagagem. “Pagar é caro”, alega.

No entanto, para o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz, a cobrança de serviços extras é um caminho sem volta e “alinha o mercado brasileiro com o mercado internacional”.

Ainda assim, enquanto as empresas defendem menos regras para as operações, o presidente da Associação Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo, Cláudio Candiota, diz que é a piora do serviço para o consumidor é “fato notório”.

http://www.itatiaia.com.br/noticia/empresas-aereas-nacionais-e-internacionais-te 

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