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Empréstimo com garantia: vale a pena bloquear investimentos em troca de crédito?

Empréstimo com garantia: vale a pena bloquear investimentos em troca de crédito?

FONTE: 6 MINUTOS

Empréstimo com garantia: vale a pena bloquear investimentos em troca de crédito?

Giuliana Saringer , 6 Minutos - São Paulo

13/07/2021​

O que você precisa saber

  • O empréstimo com garantia de investimentos geralmente tem taxas de juros mais baratas, mas os especialistas afirmam que é preciso ter cuidado na hora de contratar. 
  • Nesta modalidade de crédito, o ativo continua rendendo, mas fica bloqueado. O valor volta para a carteira do investidor ao final do pagamento da dívida. 
  • É importante pesquisar sobre taxas de juros disponíveis no mercado antes de contratar qualquer empréstimo. 

Dá para pedir empréstimo colocando a casa, o carro e até investimentos como garantia – tanto de renda fixa como variável. A pessoa oferece uma garantia e, em contrapartida, as instituições financeiras costumam cobrar taxas de juros menores, já que o risco é mais baixo.

No caso dos investimentos, a empresa financeira avalia a carteira de investimentos e o perfil do consumidor para decidir se concede ou não a quantia pedida.

Como funciona? O interessado solicita o empréstimo na instituição financeira e, se o valor for liberado, os investimentos ficam bloqueados e não podem ser movimentados. As aplicações continuam rendendo, mas só são devolvidas depois que o empréstimo é quitado. Caso fique inadimplente, o investimento é liquidado pela empresa, que pega o montante.

A Guide Investimentos, em parceria com a Nobli, fintech especializada em empréstimo com garantia em investimentos, já ofereciam crédito atrelado à renda fixa e, neste mês, começaram a dar a opção dos clientes pedirem dinheiro com garantia em ativos de renda variável (ações, fundos imobiliários, BDRs e ETFs). A taxa de juros começa em 0,6% ao mês.

“É uma oportunidade para quem precisa de liquidez, mas não quer resgatar seus investimentos. O patamar das taxas também é um diferencial para quem busca alternativas fora das instituições tradicionais, que costumam cobrar mais por esse tipo de serviço”, afirma Felipe Steinfeld, head de B2C da Guide Investimentos.

O consumidor pode indicar quais os investimentos que quer colocar como garantia ou deixar que o próprio sistema decida qual a melhor opção para seu perfil. Steinfeld diz que, independentemente de atrelar à renda fixa ou variável, o investimento fica bloqueado, mas o consumidor não tem nenhum empecilho para pedir uma troca de ativo como garantia no meio do caminho.

Vale a pena?

O empréstimo pode ser interessante para quem tem dinheiro em ativos com carência, ou seja, com um prazo determinado para o resgate. Se tirar o dinheiro antes da data de vencimento, o investidor pode ter descontos na rentabilidade ou uma cobrança alta de Imposto de Renda. É preciso colocar na ponta do lápis para ver se o que é mais interessante: o empréstimo ou o resgate antecipado.

“A taxa nominal pode ser a mais barata do mercado, mas ainda têm outras tarifas que são cobradas. Na hora de fechar a conta, você pode acabar pagando mais do que o percentual que seu dinheiro está rendendo, pela taxa efetiva da operação”, afirma Graziela Fortunato, professora da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

Se o empréstimo pode fazer sentido em renda fixa para alguns casos, o cenário fica mais complexo quando envolve investimentos em renda variável, justamente pela volatilidade dos papéis. Hugo Alex, porta-voz da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), afirma que se for para contratar este tipo de empréstimo, é melhor que seja atrelado à renda fixa.

“Se eu tenho uma alta de mercado e considero que seria um bom momento para vender ações, por exemplo, não vou conseguir se houver um empréstimo envolvido. Eu consigo negociar com a instituição financeira para uma liquidação antecipada, mas se demorar dois dias, a pessoa pode perder uma oportunidade”, afirma Alex.

As taxas cobradas em empréstimos com garantia geralmente costumam ser mais baixas do que outras opções, justamente porque a instituição financeira tem uma segurança a mais caso o consumidor fique inadimplente. Alex diz que uma boa taxa para empréstimo para pessoa física gira em torno de 1,8% ao mês.

Além do risco de perder oportunidades de venda, Alex considera que o consumidor precisa avaliar se realmente precisa do dinheiro ou se não conseguiria esperar o prazo de vencimento de suas aplicações para usar o dinheiro que já tem.

“Tem pessoas que pegam o crédito com garantia porque têm a falsa impressão de que não estão se desfazendo do patrimônio, mas não é bem assim. Se usassem o dinheiro que têm guardado para pagar o que precisam, não há cobrança de juros e o consumidor fica sem dívidas e com tempo para recompor o patrimônio com investimentos. Se os montantes estão bloqueados, você não pode usar e ainda tem uma cobrança de juros”, afirma Alex.

Para ambos os especialistas, o melhor cenário é sempre usar o dinheiro que já tem acumulado (e que não tem nenhum tipo de carência) para evitar os juros. E, se o empréstimo for de fato inevitável, é preciso pesquisar as taxas e opções disponíveis no mercado, porque os juros variam bastante de uma instituição para a outra.

Alexandre David, especialista em recuperação de empresas do ASBZ Advogados, diz que a modalidade pode ser interessante para companhias que estão em processo de retomada, têm dinheiro aplicado e não querem se descapitalizar. “Temos visto algumas operações de pessoas que tem bons títulos e não querem se desfazer para crescer o patrimônio, apostando em alavancagem pura, e alguns empresários aproveitando este tipo de empréstimo para reestruturar as dívidas, em busca de taxas menores”, afirma David.

Como funciona a análise de crédito? Steinfeld explica que, na hora de analisar o pedido de crédito, a Nobli leva em consideração o risco dos ativos que estão na carteira e o perfil do consumidor, tanto no caso da renda fixa como variável.

“Na renda fixa, os ativos também têm um risco de crédito, ou seja, uma chance de a empresa não pagar o valor acordado. Tudo isso é levado em consideração na hora de conceder crédito”, afirma Steinfeld.

No caso da Guide, o investidor pode solicitar quantos empréstimos quiser ao mesmo tempo e os valores serão liberados de acordo com a análise da credora. O dinheiro do empréstimo pode ser usado de qualquer forma, inclusive para fazer novos investimentos. Hoje, o limite de empréstimo é de R$ 300 mil em prazos de três a 36 meses.

https://6minutos.uol.com.br/minhas-financas/emprestimo-com-garantia-vale-a-pena-bloquear-investimentos-em-troca-de-credito/

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